Burrageara Nelly Isler, conhecida atualmente de forma mais correta como Oncidopsis Nelly Isler, é uma das orquídeas que tornou o nome “Cambria” familiar nos apartamentos. Apresenta flores grandes, em tons intensos de vermelho, rosa, amarelo ou laranja, um perfume doce com nota cítrica e hastes que podem ramificar abundantemente. Não é uma espécie botânica, mas sim um híbrido complexo, o que explica por que reage bem a um cultivo luminoso, relativamente fresco e estável.
Índice
Nome, ascendência e particularidades do híbrido
Burrageara Nelly Isler foi registada em 1995 por J. Isler, como cruzamento entre Oncidopsis Stefan Isler e Miltoniopsis Kensington. No comércio ainda aparece frequentemente como Burrageara, mas as classificações horticulturais recentes colocam-na entre os híbridos Oncidopsis. Na sua ascendência encontram-se Cochlioda, Miltonia, Odontoglossum e Oncidium. A forma da flor lembra a Miltonia, a longevidade das flores deve-se em boa medida ao Odontoglossum, enquanto as folhas brilhantes e o crescimento vigoroso revelam influências de vários ramos desta ascendência.
É uma planta de crescimento simpodial. Produz pseudobolbos, não caules do tipo Phalaenopsis, e os pseudobolbos são importantes reservas de nutrientes. Um pseudobolbo verde, mesmo sem folhas, não é algo que deva ser cortado. Alimenta o novo crescimento e pode ajudar a planta a ter uma boa floração.
Luz, temperatura e ventilação
Muita luz filtrada promove uma planta compacta e pseudobolbos bem amadurecidos. Uma janela virada a nascente é geralmente a opção mais simples. Numa janela virada a sul ou a poente, uma cortina ou uma posição ligeiramente afastada da janela protege as folhas das queimaduras. Folhas muito amarelas podem indicar excesso de sol; folhas muito escuras, crescimento alongado e ausência de hastes indicam sobretudo falta de luz.
Burrageara Nelly Isler prefere temperaturas intermédias a frescas, entre 13 e 26°C. O calor do verão é mais fácil de suportar se o ar circular e o substrato não secar subitamente. Perto de um radiador, a planta perde rapidamente humidade e fica desequilibrada. Evita também correntes de ar frio diretas, sobretudo quando surgem hastes ou botões florais.

Rega, humidade e fertilização
O substrato não deve ficar completamente seco durante muito tempo. Rega quando começa a secar e deixa depois a água escorrer completamente. Com boa luz e durante o período de crescimento, o ritmo é mais frequente; no inverno, a planta consome menos água e o intervalo entre regas aumenta. Não sigas um dia fixo do calendário: o peso do vaso, as raízes e o aspeto do substrato dizem muito mais.
Folhas dobradas, semelhantes a um acordeão, indicam geralmente que a planta passou por um período demasiado seco ou que as raízes já não conseguem absorver corretamente a água e estão danificadas. Pseudobolbos novos que ficam muito enrugados exigem a verificação do substrato e das raízes. Ao mesmo tempo, a água acumulada no vaso, sem circulação de ar, provoca raízes moles (apodrecidas) e um cheiro ácido desagradável (bacterioses). Um tabuleiro com seixos (ou leca) e água pode ajudar numa divisão seca, mas a parte inferior do vaso não deve ficar dentro de água.
Fertiliza moderadamente, depois da rega, com fertilizante para orquídeas diluído. Uma aplicação a cada uma ou duas semanas, em dose reduzida durante a estação ativa, é mais segura do que uma fertilização concentrada. Lava periodicamente o substrato com água simples, sobretudo se utilizares água dura.
Substrato, transplante e divisão
As raízes precisam tanto de humidade como de ar. Uma mistura com casca de granulometria fina, material mineral (como pedra-pomes, LECA ou seramis) e um pouco de esfagno ou fibra de coco pode manter o equilíbrio. Um substrato para orquídeas de crescimento vigoroso é um bom ponto de partida, podendo depois ser adaptado se o local for muito quente ou muito seco.
Transplanta quando surgirem raízes e novos crescimentos; se possível, evita fazê-lo a meio da floração. Nessa altura, a planta fixa-se mais rapidamente no novo substrato. Depois do transplante, um pseudobolbo novo pode permanecer ligeiramente enrugado até as raízes começarem a desenvolver-se bem. Não dividas um tufo pequeno. Se precisares de duas plantas, cada divisão deve manter vários pseudobolbos e crescimento ativo.
Pseudobolbos, hastes e floração
Uma planta adulta pode produzir várias hastes, por vezes com até 15 flores por haste. O perfume sente-se geralmente com maior intensidade durante o dia, sobretudo com boa luminosidade. As florações surgem mais frequentemente no outono, mas não estão estritamente ligadas a uma única estação: um novo crescimento bem desenvolvido pode iniciar uma haste em qualquer altura.
Depois da floração, corta apenas a haste que secou. Mantém os pseudobolbos verdes e continua os cuidados normais para que a planta reponha as suas reservas. Mudanças repetidas de lugar, falta de rega e grandes diferenças de temperatura podem afetar os botões florais em desenvolvimento.
Problemas frequentes
Não floresce: na maioria dos casos, a luz é insuficiente, a planta ainda não tem pseudobolbos maduros ou as raízes foram afetadas por um substrato antigo.
Folhas com pregas: verifica a rega e as raízes. A planta não deve ser mantida molhada, mas também não deve ficar completamente seca durante longos períodos.
Folhas amarelas ou manchas secas: reduz o sol direto e verifica se o vaso está demasiado perto da janela durante uma tarde quente.
Perguntas frequentes
É a mesma planta que uma Cambria?
“Cambria” é um nome comercial utilizado para vários híbridos. Nelly Isler é uma das mais conhecidas.
Precisa de um período de repouso?
Não tem um repouso rigoroso. No inverno, reduz a rega e a fertilização apenas se a luz e o crescimento tiverem diminuído.
Posso cortar os pseudobolbos sem folhas?
Não enquanto estiverem verdes e firmes. Continuam a ser uma reserva para a planta.